Reversão de vasectomia

Uma pequena parte dos pacientes submetidos à vasectomia(menos do que 1%) procuram auxílio médico para reverter a sua cirurgia. Isto se deve a vários fatores: separação e um novo relacionamento, perda de um filho, melhora das condições financeiras do casal, e mais raramente dor testicular persistente após a vasectomia.

 




É importante saber que esta cirurgia não é tão simples quanto à vasectomia (habitualmente realizada de forma ambulatorial sob anestesia local). Na cirurgia de reversão o paciente precisa ser hospitalizado, já que o procedimento é realizado em centro cirúrgico e com o uso de microscópio com aumento de  5 a 20 vezes, sob raqui-anestesia, podendo porém o paciente receber alta no mesmo dia (internação no chamado “hospital-dia”). Na maioria dos casos, passam a noite no hospital.

 

O tempo de cirurgia varia entre 2 e 6 horas. Todos estes cuidados são importantes para aumentar o sucesso do procedimento, que é grande quanto utiliza-se de técnicas microscópicas e é realizado por profissional experiente com este tipo de cirurgia.


 



Atualmente temos também a possibilidade de congelamento do sêmen por ocasião da reversão, o que na eventualidade da cirurgia não ter sucesso, podermos utilizar este material para futura fertilização in vitro.


Os resultados da cirurgia dependem do tempo decorrido entre a vasectomia e a reversão:

- Vasectomia com menos de 3 anos = 97% chance de recanalização
- Vasectomia entre 3 e 8 anos = 88% chance de recanalização
- Vasectomia entre 9 e 14 anos = 79% chance de recanalização
- Vasectomia com 15 anos = 71% chance de recanalização

Estes números referem-se à chance de volta dos espermatozóides no ejaculado, já que o percentual de gravidez é um pouco menor, pois aqui dependemos também da idade e do potencial fértil da mulher.

 

Outro parâmetro importante é a qualidade e a viscosidade do sêmem expulso quando se secciona o deferente, antes da sua ligadura. 

Após a vasectomia a produção de espermatozóides não cessa, e isto faz com que haja um aumento de pressão a partir do local onde se fez a ligadura do ducto deferente até o epidídimo(que é o órgão por onde passam os espermatozóides assim que são produzidos pelo testículo). Ocorre que este aumento de pressão no decorrer de vários anos aumenta a probabilidade de ocorrerem roturas no delicado túbulo que compõe o epidídimo. Nesta situação a cirurgia habitual de reversão, onde se faz a reconexão dos ductos deferentes (chamada na linguagem médica de vaso-vasoanastomose) não trará bons resultados, sendo necessária a realização de uma cirurgia mais complexa (a chamada vaso-epididimonastomose) e com um menor índice de sucesso (chance de recanalização entre 60-88% e gravidez entre 25-57%), mas mesmo assim, com resultados duas vezes melhores do que as outras técnicas de reprodução assistida.

Cuidados pós-operatórios


Após a cirurgia recomenda-se não ter atividade sexual por 3 semanas e realizar atividades físicas somente após 3 meses. Normalmente recomendamos utilizar um suporte escrotal durante este período, o que traz certo conforto para o paciente. É também recomendável ficar afastado do trabalho por aproximadamente sete dias.



 

O retorno dos espermatozóides no ejaculado ocorre em alguns poucos meses em alguns casos, porém pode demorar entre 12 a 18 meses.

Recomenda-se ainda evitar a prática do sexo anal sem proteção, visto que, se praticado sem o uso da camisinha, aumenta o risco de infecção do epidídimo pela via uretral. 

A gravidez ocorre na maioria das vezes dentro do primeiro ano.



 

 





 

 

 

 

 

 

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